ideia de escrever sobre a Prova Penal Digital surgiu de uma conversa com o Professor Aury Lopes Jr e, a presente obra é um espelho do que fora construído durante os encontros acadêmicos na PUCRS, no Mestrado em Ciências Criminais. O livro é um reflexo da nossa Dissertação aprovada com louvor, por unanimidade.\r\n\r\nPor que tratar da relação entre a telemática e a prova penal?\r\n\r\nNessas linhas, buscamos evidenciar que o emprego da tecnologia no campo processual não pode ser desprezado, mas demanda um tratamento legal rígido e específico, no local adequado. Em contrapartida, a banalização dos métodos ocultos de investigação tem relação frontal com o tempo, e na busca pelo visual e por uma resposta penal Fast-food, transformaram medidas que deveriam ser excepcionais, em uma regra probatória.\r\n\r\nEm tal perspectiva, busca-se desmistificar o preceito da verdade real (digital) e descortinar a premissa de que meios de obtenção da prova, como a interceptação telefônica, não podem ter o mérito contestado. Com clara oposição a tal entendimento, os vícios formais e materiais dos meios comunicacionais são expostos, numa leitura instrumental e garantista, capaz de traduzir nulidades invisíveis e provas amorfas. O áudio, vídeo e transcrições podem e devem ser atacados, caso não respeitem o núcleo rígido de direitos fundamentais.\r\n\r\nMuitos foram os que escreveram sobre a interceptação telefônica e telemática e, em que pese a qualidade de vários desses textos, em quase a totalidade, o enfoque não foi multidisciplinar e prático, não existiu a pretensão de entregar uma roupagem contra-majoritária ao tema, para que as linhas não fossem mera reprodução de posição dogmática predominante e jurisprudencial.\r\n\r\nPrecisamos de mais, quebrar as linhas dominantes, criar uma instrumentalidade constitucional, percorrer outros caminhos, a coragem de expor os espaços não preenchidos pelo contraditório, onde as regras do jogo processual não são respeitadas. \r\n\r\nOs meios de investigação explorados nessas laudas se tornaram contumazes, e na luta contra uma criminalidade cada vez mais organizada e transnacional, fronteiras são despedaçadas como meio para captação do evidente, daquilo que não pode ser contestado, o mito da verdade real, agora com uma roupagem digital.\r\n\r\nE a confissão ortodoxa que antes era a rainha das provas recebe uma nova moldura, a eletrônica. O direto ao silêncio é impotente contra os novos recursos tecnológicos, principalmente nas grandes operações, como na LAVAJATO. O me